Golpes do INSS: como identificar e o que fazer se cair em um

O telefone toca, a gravação diz que é da Central 135 e pede para digitar 1 para não perder o benefício. Em outro dia, alguém de crachá bate à porta falando em revisão. Esses dois casos estão entre os alertas publicados pelo próprio INSS, e a lista cresce. Conhecer os golpes do INSS mais comuns é a melhor proteção para aposentados, pensionistas e para quem cuida deles. Este guia mostra como cada um funciona, os sinais de alerta e o que fazer se você ou um familiar caiu em um deles.
A regra que derruba quase todos os golpes
Grave estas três informações e repasse para os seus pais ou avós. O INSS informa que:
- Não liga nem envia mensagem pedindo documentos, fotos, biometria, senhas ou dados bancários.
- Não envia servidores à sua casa para pedir esses dados. Os atendimentos domiciliares autorizados são avisados com antecedência.
- Não pede pagamento nem transferência para liberar, manter ou revisar um benefício, nem para aprovar empréstimo consignado.
Se o contato pede algo dessa lista, encerre a conversa. Não existe exceção para o caso “urgente”, e a pressa costuma ser justamente a ferramenta do golpista.
Os golpes mais frequentes e como reconhecer
Falsa prova de vida por telefone
Criminosos ligam se passando pela Central 135 e pedem que a pessoa digite “1” ou “2” para manter o benefício ativo. O INSS não faz prova de vida por telefone ou mensagem de texto. Quando alguém precisa regularizar a situação, o aviso aparece no extrato bancário. O caminho seguro está no nosso guia sobre prova de vida.
Falso servidor na porta de casa
O golpista chega com crachá, às vezes com colete e pasta, e usa pretextos como prova de vida, revisão de benefício ou regularização de cadastro. O objetivo é entrar na casa, fotografar documentos ou tirar uma foto do rosto do idoso. Essa foto pode ser usada para validar operações em nome dele. Não deixe pessoas desconhecidas entrarem e não permita fotos.
Link falso de indenização ou ressarcimento
Depois dos casos de descontos associativos indevidos, surgiram páginas e mensagens que prometem consultar um suposto direito a indenização. Para “liberar o valor”, pedem CPF, conta bancária e senha. O INSS já alertou sobre esses links falsos nas redes sociais. Vale lembrar que o prazo para contestar esses descontos, prorrogado mais de uma vez, foi noticiado com encerramento em junho de 2026. Confirme a situação atual pelo Meu INSS ou pelo 135, nunca por link recebido.
Consignado que você não pediu
Aqui há variações. Em uma delas, a pessoa recebe uma ligação oferecendo redução de juros e, na verdade, autoriza um empréstimo novo. Em outra, um dinheiro aparece na conta e o golpista pede que seja devolvido por Pix, para outra conta. O contrato segue ativo e as parcelas continuam saindo do benefício. Se um valor desconhecido cair na sua conta, não mexa nele: fale com o banco pelos canais oficiais.
Atravessador que promete agilizar
São perfis em redes sociais, grupos e pessoas que cobram para “furar a fila” ou garantir aprovação, e pedem a senha gov.br para “resolver tudo”. Com a senha, é possível ver os dados e pedir serviços em seu nome. Pedir benefício ao INSS é gratuito, e você não precisa de intermediário para isso.
Sinais de alerta em mensagens e ligações
- Ameaça de bloqueio ou corte do benefício “hoje”.
- Pedido para clicar em link, baixar aplicativo ou instalar programa de acesso ao celular.
- Endereço de site que não termina em .gov.br.
- Pedido de código recebido por SMS, foto com documento ou selfie.
- Conta para depósito em nome de pessoa física.
- Perfil de WhatsApp com logotipo do INSS. Se alguém se apresentar assim, a orientação do órgão é bloquear.
Como conferir se a informação é verdadeira
Desligue e procure você mesmo um canal oficial, em vez de retornar para o número que ligou. Os canais do INSS são poucos:
- Meu INSS: aplicativo oficial ou site meu.inss.gov.br.
- Central 135: de segunda a sábado, das 7h às 22h.
- Agências da Previdência Social: de preferência com atendimento agendado.
- Site gov.br/inss: onde o órgão publica os alertas sobre golpes.
O que fazer se você caiu em um golpe
Agir rápido reduz o prejuízo. Siga esta ordem:
- Avise o banco pelo número do cartão ou pelo aplicativo oficial. Peça bloqueio de operações e, se houve Pix, informe que foi fraude e solicite o Mecanismo Especial de Devolução.
- Troque a senha gov.br e a senha do banco. Se instalou algum aplicativo a pedido do golpista, remova-o e peça ajuda para revisar o celular.
- Confira o extrato de pagamento no Meu INSS para ver se há empréstimo ou desconto que você não reconhece.
- Bloqueie o benefício para empréstimos. Nosso guia mostra como fazer o bloqueio do consignado em poucos minutos.
- Registre um boletim de ocorrência. Muitos estados aceitam o registro pela delegacia on-line.
- Reclame formalmente. Se há contrato não reconhecido, procure a instituição financeira, anote os protocolos e peça cancelamento, suspensão dos descontos e devolução das parcelas. Se não resolver, registre a reclamação no consumidor.gov.br ou no Procon.
Guarde prints, números de telefone, nomes e comprovantes. Essas informações ajudam o banco, a polícia e, se necessário, a Defensoria Pública ou os Juizados Especiais Cíveis. No caso de falsa visita, se houver suspeita, interrompa o contato e procure a polícia. Em uma situação em andamento, ligue para o 190.
Como proteger um familiar idoso
Muita vítima deixa de contar o que aconteceu por vergonha, então a conversa precisa ser tranquila, sem bronca. Algumas medidas simples ajudam bastante:
- Combine uma regra de casa: nada de senha, foto ou pagamento sem antes falar com alguém da família.
- Deixe o número do 135 e o de um parente em local visível, perto do telefone.
- Instale você mesmo o aplicativo oficial, pela Google Play ou pela App Store.
- Mantenha o benefício bloqueado para empréstimos enquanto não houver necessidade.
- Confira o extrato do benefício todo mês junto com a pessoa.
- Oriente quem ajuda em casa, como cuidadores e vizinhos, a não abrir a porta para visitas do “INSS” sem aviso.
Fontes consultadas: alertas publicados pelo INSS em gov.br/inss, incluindo os comunicados sobre golpes da prova de vida, visitas domiciliares falsas e links de indenização.
Aviso: o Guia do Benefício é um portal independente de conteúdo informativo. Não temos vínculo com órgãos do governo, bancos ou programas oficiais, não realizamos consultas de documentos nem coletamos dados pessoais. Os procedimentos podem mudar — confirme sempre nos canais oficiais. O acesso aos serviços é gratuito.