Carteira de Identidade Nacional (CIN): como emitir

Até pouco tempo atrás, uma mesma pessoa podia ter até 27 carteiras de identidade, uma por unidade da Federação, cada uma com um número diferente. A Carteira de Identidade Nacional (CIN) acaba com isso: o número passa a ser o CPF, igual em todo o país. A primeira emissão em papel é gratuita, mas o pedido não é feito em um site federal. Cada estado cuida do próprio atendimento, e é aí que muita gente se perde.

Quem faz o documento

A emissão fica com os órgãos de identificação civil dos estados e do Distrito Federal. Conforme o local, o atendimento acontece em institutos de identificação, polícia civil ou científica, centrais como Poupatempo em São Paulo e UAI em Minas Gerais, ou outros postos estaduais. O governo federal mantém uma página chamada “Onde emitir a sua nova Carteira de Identidade?”, com o endereço do portal de agendamento de cada estado. Mutirões também são feitos de tempos em tempos, então acompanhe os canais do órgão da sua região.

Documentos para levar no dia

O item central é a certidão de nascimento ou de casamento, de acordo com o seu estado civil atual. Quem se casou, separou ou mudou de nome precisa levar a certidão que mostra a situação de hoje. Também é preciso ter CPF regular. Antes de sair de casa, faça estas verificações:

  • Compare nome, data de nascimento e nome da mãe na certidão e no CPF. Divergências podem impedir a emissão.
  • Veja se o CPF está regular. O passo a passo está em como consultar o CPF e a situação cadastral.
  • Pergunte se o seu estado aceita cópia autenticada. São Paulo aceita, por exemplo.
  • Em Minas Gerais, quem ainda não tem CPF pode resolver isso no atendimento. Confirme se o seu estado oferece o mesmo.
  • Crianças e adolescentes menores de 16 anos vão acompanhados de pai, mãe ou responsável legal, regra informada por Minas Gerais e comum em outros órgãos.

Como pedir a CIN, do agendamento à retirada

  1. Abra a página “Onde emitir a sua nova Carteira de Identidade?”, no portal gov.br, e localize o site do seu estado.
  2. Agende o atendimento no sistema estadual, quando houver essa exigência. Em Minas, o agendamento usa o MG App Cidadão ou o site cidadao.mg.gov.br. Em São Paulo, o Poupatempo.
  3. Compareça com os documentos originais na data marcada. O atendente coleta os dados e, quando necessário, a foto e as digitais.
  4. Guarde o protocolo e pergunte onde e como a carteira será entregue, porque isso muda de um estado para outro.
  5. Depois de pronta, retire a carteira e confira cada dado antes de ir embora.

O prazo depende do estado. O Rio Grande do Norte informa de 7 a 20 dias, e Minas Gerais, até 15 dias úteis. Consulte o número do seu órgão e evite marcar viagem contando com a carteira em uma data apertada.

Quanto custa, de verdade

A gratuidade tem um limite preciso. Segundo o Governo Digital, com base na Lei nº 7.116/1983, a primeira emissão em papel não tem custo. O modelo em cartão de policarbonato, oferecido por alguns estados, pode ser cobrado, assim como a segunda via. Os valores são estaduais e mudam, como mostram estes exemplos publicados por órgãos locais:

Estado Serviço Valor informado
Mato Grosso Primeira via em policarbonato R$ 99,53
Rio Grande do Norte Segunda via R$ 35,00
Minas Gerais Segunda via R$ 115,80

Na hora de marcar, verifique se o sistema está oferecendo o modelo gratuito em papel. O agendamento também é gratuito. O órgão do Rio Grande do Norte chega a alertar sobre pessoas que cobram para conseguir horário, o que não é necessário.

Por quanto tempo a carteira vale

Idade na emissão Validade
Até 11 anos 5 anos
De 12 a 59 anos 10 anos
60 anos ou mais Indeterminada

A versão no celular

Todo modelo físico tem uma versão digital no aplicativo gov.br. Para usá-la, é preciso primeiro ter a carteira emitida, já que a versão digital vem depois da física. Órgãos estaduais informam que o acesso exige conta gov.br no nível prata ou ouro. Se a sua ainda está em bronze, suba o nível antes de tentar, pela opção “Aumentar nível” do aplicativo.

Só a última CIN emitida tem QR Code válido, e dois modelos não podem ser usados ao mesmo tempo. Ao emitir uma nova, a anterior deixa de valer para esse fim. Para ler os dados e checar a autenticidade do documento, é preciso conexão com a internet. Se a carteira física for perdida, o Rio Grande do Norte orienta baixar a versão digital em PDF pelo aplicativo como apoio enquanto a nova via não sai.

A CIN digital também pode abrir portas. A leitura do QR Code do documento pelo aplicativo gov.br é um dos caminhos para levar a conta ao nível ouro.

O RG antigo perdeu a validade?

Não. O modelo antigo continua aceito, e ninguém é obrigado a correr para trocar agora. Órgãos estaduais de identificação, com base no Decreto nº 10.977/2022, apontam fevereiro de 2032 como limite de validade do RG tradicional, com a CIN passando a ser exigida a partir de 1º de março de 2032. Antes disso, a troca é gradual. Faz sentido antecipar quando você precisar de uma segunda via, atualizar dados ou tiver uma viagem que exija documento mais recente.

Quem recebe benefício deve se preocupar?

Há uma regra paralela. O governo federal está passando a exigir cadastro biométrico para concessão, manutenção e renovação de benefícios do INSS e de programas sociais, e a CIN será a única base aceita a partir de janeiro de 2028. Até 31 de dezembro de 2027, a biometria da CNH, do título de eleitor ou do passaporte segue aceita para quem já tem esse cadastro. Quem não tem nenhuma biometria deve procurar a emissão da CIN com antecedência. Pessoas com mais de 80 anos, moradores de locais de difícil acesso e quem não pode se deslocar por saúde ou deficiência têm dispensa mediante comprovação.

O calendário foi alterado em 2026 e ainda aparece com datas diferentes em comunicados oficiais. Por isso, confirme a sua situação nos canais do programa, como a Central 135 para quem recebe do INSS. O INSS informou que não deixará de pagar a aposentadoria de quem ainda não tem a nova identidade. Mensagens com ameaça de corte e link para “atualizar a biometria” costumam ser fraude, tema do guia sobre golpes do INSS.

Fontes consultadas: Governo Digital (dúvidas sobre a CIN e página de locais de emissão), Ministério da Previdência Social, Ministério da Gestão e Inovação, Agência Brasil e órgãos de identificação de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Santa Catarina. Prazos e taxas variam por estado.

Aviso: o Guia do Benefício é um portal independente de conteúdo informativo. Não temos vínculo com órgãos do governo, bancos ou programas oficiais, não realizamos consultas de documentos nem coletamos dados pessoais. Os procedimentos podem mudar — confirme sempre nos canais oficiais. O acesso aos serviços é gratuito.

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