Desastre no INSS? Erros no benefício estendem pedidos negados e Brasileiros ficam em espera
A situação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) se torna cada vez mais complexa à medida que os dados de 2024 são revelados.
De acordo com informações do Tribunal de Contas da União (TCU), aproximadamente 10,9% dos pedidos feitos ao INSS entre janeiro e maio do ano passado foram negados de forma indevida. Essa alta taxa de negativas pode trazer consequências devastadoras para milhares de segurados.
A análise realizada pelo TCU demonstra que as rejeições indevidas são consequência de uma abordagem que prioriza a velocidade em detrimento da qualidade. Servidores frequentemente optam por indeferir automaticamente processos que, por suas características, exigiriam um exame mais detalhado.
Esse problema é ainda mais alarmante, uma vez que 28,64% dos requerimentos analisados apresentaram inconsistências, sugerindo que os entraves podem ser ainda mais abrangentes. Para trabalhadores autônomos e desempregados, as implicações são imediatas, resultando em atrasos que prejudicam.

Crescimento da fila de espera e suas causas
O crescimento da fila de espera tem raízes em diversos fatores, que incluem tanto a paralisação dos peritos quanto um aumento significativo no número de pedidos de benefícios. Antes da greve dos peritos, o número de solicitações mensais subiu de menos de 1 milhão em 2023 para 1,4 milhão em 2024.
A situação se agrava com pedidos duplicados e revisões administrativas que contribuem para o acúmulo no sistema. O Ministério da Previdência Social responsabiliza a greve dos peritos pelo aumento na fila e pela lentidão nos processos estressantes e amorosos.
O movimento, iniciado em agosto de 2024, resultou em uma diminuição drástica no atendimento, elevando o número de pendências que o INSS já enfrentava. A falta de uma estrutura adequada e a escassez de profissionais em certas regiões agravam ainda mais o quadro.
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A resposta do TCU e as medidas necessárias
Em resposta ao cenário crítico, o TCU intensificou a fiscalização e exigiu que o INSS implementasse medidas corretivas. Algumas das ações exigidas incluem a revisão das metas de produtividade do instituto, com foco em refletir a complexidade analisada.
O tribunal sugere que o INSS promova treinamentos para a capacitação dos servidores, garantindo que sejam mais bem preparados para lidar com os pedidos. Outro ponto importante é a implementação de verificações automáticas que ajudem a identificar erros contidos nos requerimentos logo no início.
Dessa forma, o intuito é reduzir a ocorrência de negativas indevidas, criando uma camada adicional de segurança e precisão. Além disso, a adoção de inteligência artificial foi proposta como uma alternativa para aprimorar os processos automáticos que existem atualmente.
As consequências da fila de espera para trabalhadores
A demora na concessão de benefícios impacta não apenas a satisfação dos segurados, mas também gera repercussões financeiras diretas para o governo. Com o aumento do atraso, mais valores retroativos precisam ser pagos, resultando em um sobrecusto substancial para a Previdência Social.
Em 2024, as despesas superaram em R$ 29,9 bilhões as estimativas iniciais, refletindo a necessidade de ajustar urgentemente o sistema. Essa realidade escancara a falta de estrutura e a escassez de recursos nas unidades de atendimento, deixando centenas de milhares sem acesso a benefícios essenciais.
No Nordeste, a situação piora consideravelmente. Com 400 mil perícias agendadas e apenas 640 peritos disponíveis nos nove estados da região, muitos trabalhadores aguardam mais de três meses por um atendimento para resolverem sues problemas.
Consequências da greve dos peritos para o INSS
A greve dos peritos médicos federais, que teve início em agosto de 2024, é uma das razões principais para o aumento da fila de espera. Com cerca de 10% dos profissionais paralisando parcialmente suas atividades, o número de perícias realizadas diariamente caiu drasticamente.
Essa paralisação impactou notavelmente os benefícios por incapacidade, com os peritos reivindicando reestruturação de carreira e implementação de acordos firmados em anos anteriores. Milhares de atendimentos foram cancelados, e o INSS precisou se adaptar, reagendando perícias com os médicos.
Entretanto, essa medida não foi suficiente para conter a crescente lista de pendências. Por exemplo, apenas em São Paulo, a fila saltou 53%, atingindo mais de 217 mil pessoas, refletindo o colapso do sistema que muitos enfrentam com medo.
O Superior Tribunal de Justiça interveio, validando a suspensão das agendas dos grevistas e mantendo a política de corte de ponto. No entanto, a tensão entre a categoria dos peritos e o governo continua a ser um desafio sem solução à primeira vista, o que causa insegurança nos usuários.
Estratégias do INSS e TCU para resolver os problemas
O INSS, em conjunto com o TCU, delineou várias ações para enfrentar a atual crise no sistema previdenciário. Entre as propostas, destacam-se:
- Intensificação das reuniões entre os órgãos para discutir melhorias e corretivos nos processos de análise.
- Adoção de treinamentos para aprimorar a capacitação dos funcionários, garantindo que estejam preparados para lidar com a complexidade do trabalho.
- Implementação de um sistema de verificação automática para detectar erros logo no início do processo de análise de pedidos.
Essas ações visam não apenas reduzir a fila de espera, mas também melhorar a qualidade do atendimento prestado aos segurados, assegurando que os benefícios sejam concedidos de forma justa e adequada às necessidades dos trabalhadores.
O Efeito econômico da situação do INSS
A questão do INSS e suas filas não se resume a um problema burocrático; o impacto econômico é igualmente significativo. A crescente fila de espera implica que o governo precisará desembolsar mais dinheiro em pagamentos retroativos, o que onera ainda mais a Previdência Social.
Esse aspecto torna-se um ciclo vicioso, levando a um estresse financeiro para os segurados e para o próprio sistema, que já debate questões de sustentabilidade há algum tempo. Em 2024, as compras de benefícios enfrentaram altas que refletiam em R$ 29,9 bilhões acima das expectativas.
O Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado para idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, também registrou um aumento de R$ 7,6 bilhões em despesas. Esse gasto exacerbado é uma clara prova de que a eficiência do sistema precisa ser abordada com urgência.
Desigualdades regionais e seu impacto na fila de espera
As disparidades regionais também expõem deficiências estruturais dentro do INSS. Enquanto o tempo médio de espera para perícias em São Paulo é de 24 dias, no Nordeste esse prazo chega a ultrapassar os 66 dias, enquanto que em áreas remotas, os trabalhadores sofrem ainda mais.
A concentração de apenas 640 peritos atuando em nove estados nordestinos, frente a 400 mil perícias agendadas, evidencia a insuficiência de recursos e a limitação estrutural que o instituto enfrenta. Essa realidade contribui não apenas para a insatisfação, mas para um nível grave de exclusão.
O futuro do INSS: soluções tecnológicas e desafios
Assoluções tecnológicas estão sendo debatidas como uma saída viável para os problemas enfrentados pelo INSS. A implementação de inteligência artificial, exigida pelo TCU, é vista como uma alternativa promissora para reduzir erros nas análises de pedidos e acelerar o processo de concessão de benefícios.
Essa tecnologia pode identificar inconsistências logo no início do trâmite, evitando que casos complexos sejam negados por falhas técnicas. Entretanto, a adoção de soluções digitais enfrenta desafios, incluindo a resistência de alguns servidores e a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura.
O PrevJud, um sistema que agiliza o cumprimento de decisões judiciais, é um exemplo positivo. Desde sua implementação, em 2024, alguns benefícios como auxílios-doença começaram a ser concedidos rapidamente, mas ainda carece de uma expansão para abranger todos os processos administrativos.